Controlo de pragas




O que são pragas?

Organismos indesejáveis que, em elevado número, competem com o ser humano ameaçando as culturas, destruindo-as para a sua alimentação ou provocando-lhes doenças.

CURIOSIDADE: Estima-se que cerca de 35% da produção primária mundial de alimentos é destruída por pragas.









Analisando 2 perspectivas:

·         Quando existe um equilíbrio dinâmico…

Em ecossistemas naturais e agro-sistemas de policultura, as populações das espécies consideradas como pragas encontram-se em equilíbrio dinâmico com as populações de predadores e de espécies patogénicas. Os danos que causam a estes sistemas não são muito graves.

·         Quando há ausência de equilíbrio dinâmico…

 Em agro-sistemas de monocultura, a falta de biodiversidade limita as interações entre diferentes populações e as pragas tornam-se um problema grave que é tradicionalmente combatido com Biocidas.    



29/04 18h47



Três pesticidas vão ser proibidos na União Europeia devido às evidências científicas de que causam a morte das abelhas. Portugal foi um dos países que votou contra, mas a proposta acabou por ter o apoio de 15 dos 27 estados-membros.
“A decisão formal será adotada dentro de algumas semanas porque temos de traduzir o texto. Mas com a decisão política de hoje, a restrição do uso destas substâncias entrará em vigor a partir de 1 de dezembro”, explicou o porta-voz da Comissão Europeia, Roger Waite.
A proibição destes pesticidas, conhecidos por neonicotinóides, será temporária já que a Comissão Europeia se propõe a rever a decisão dentro de dois anos.
Durante uma manifestação da associação Avaaz, em Bruxelas, a apicultora Hélène Kufferath explicou que “os danos são terríveis, porque estes pesticidas afectam os neurotransmissores da abelhas e elas deixam de conseguir encontrar as colmeias. Perdem-se e morrem”.
Também satisfeita está a organização ambientalista Greenpeace, que ainda quer ir mais longe.
“Num relatório científico recente, identificámos sete substâncias que colocam problemas muito sérios para as abelhas e outros insetos polinizadores. Gostaríamos que a Comissão não agisse apenas contra os neonicotinóides, mas que também tivesse em conta as evidências científicas de que outras substâncias são tão tóxicas como estas que serão banidas em breve”, afirmou Marco Contiero.
Os pesticidas agora proibidos são produzidos principalmente pela Bayer (Alemanha) e Syngenta (Suíça). Estes fabricantes e alguns cientistas dizem que não foi comprovada a ligação entre o uso de neonicotinóides e um acentuado declínio no número de abelhas na Europa nos últimos anos – um fenómeno conhecido como “desordem de colapso da colónia”.
Mas a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos considerou que os riscos existem e foi nessa base que a Comissão Europeia elaborou a proposta de proibição, agora aprovada pelos estados-membros.
         A proibição do uso de neonicotinóides aplica-se em todas as culturas, exceto cereais de Inverno e plantas não atraentes para as abelhas,tais como a beterraba açucareira.



LUTA QUÍMICA





     Na luta química são utilizadas substâncias químicas naturais ou de síntese designadas pesticidas, para reduzir ou eventualmente eliminar as populações de inimigos das culturas. Os reguladores de crescimento de insetos são também substâncias químicas e pesticidas mas, pelo seu modo de ação, são incluídos na luta biotécnica. Também são pesticidas, mas de natureza biológica e não química, os biopesticidas e as plantas insecticidas utilizados em luta biológica, no tratamento biológico.
     Os Pesticidas são produtos químicos que combatem espécies nocivas ou funcionam como reguladores do crescimento. Têm o objectivo de  pôr fim à existência de pragas numa determinada cultura, servindo também para garantir boas produções agrícolas. No entanto podem classificar-se quanto à natureza do inimigo a combater: 






Quanto a um pesticida também devem ter-se algumas precauções. Assim para que este seja lançado no mercado devem fazer-se testes, afim de garantir que esse produto é inócuo para os seres humanos e animais domésticos.

Os pesticidas classificaçam-se então quanto ao seu espectro de ação e pressistência. O espectro de ação de um pesticida está relacionado com a quantidade de espécies para as quais é tóxico. Quanto mais largo o espectro de ação, maior o número de espécies sensíveis aos seus efeitos. A presistência de um pesticida é dada pelo intervalo de tempo que permanece activo, desde algumas horas, dias ou semana (baixa) até alguns anos (alta).


DDT



O DDT (diclorodifeniltricloroetano) é um pesticida que foi muito utilizado, na altura da Segunda Guerra Mundial, como forma de protecção contra insectos que transmitem doenças (como a malária) e como modo controlo dttte pragas na agricultura. O uso do DDT foi abandonado por volta dos anos 70 em praticamente todo o mundo, pelos seus efeito adversos no ambiente.
O DDT é ainda utilizado na erradicação da malária, devido, principalmente á sua larga eficácia residual quando usado nas paredes e tectos (6 a12 meses dependendo da dose e da qualidade do composto usado) e ao facto de ser barato. A WHO (World Health Organization) recomenda o uso de DDT apenas por vaporização residual dentro de casa.
Em 1995, na convenção de Estocolmo, sobre poluentes orgânicos persistentes foi criado um grupo de especialistas que identificou os 12 poluentes objecto da convenção entre eles o DDT. Deste convenção assinada por 100 países, entre eles Portugal, conclui-se que se deveria proceder a uma eliminação gradual do DDT, embora fosse admitida o seu uso para o controlo de vectores, como o mosquito transmissor da malária. Os países podem usar DDT durante o tempo e as quantidades necessárias, desde que as recomendações da WHO (World Health Organization) e da Convenção de Estocolmo sejam cumpridas e que as alternativas e as causas do seu uso sejam bem ponderadas. No terceiro encontro, em Maio de 2007, a Conferência de Estocolmo concluiu que ainda existe a necessidade de utilizar o DDT no controlo de doenças transmitidas por vectores (principalmente em países africanos). Esta necessidade será avaliada a cada dois anos.

Pulverização do inseticida DDT

O retorno do polémico inseticida DDT
24. Novembro 2008 – 08h22



O dicloro-difenil-tricloroetano (DDT) está proibido na agricultura, mas continua sendo usado no combate à malária, por recomendação da Organização Mundial da Saúde.
Cientistas advertem sobre o perigo do pesticida, desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial e que rendeu o Prémio Nobel de Medicina de 1948 ao suíço Paul Hermann Müller.

Antes de ser proibido na agricultura, o DDT era considerado uma "arma milagrosa" no combate de doenças transmitidas por insetos. No começo dos anos de 1950, era pulverizado de avião sobre grandes áreas de terra, também na Suíça.


Mas cedo surgiram indícios de riscos e efeitos colaterais. A bióloga norte-americana Rachel Carson denunciou em seu livro Primavera Silenciosa (1962) que o DDT causava câncer. Além disso, pássaros punham ovos com casca muito fina; em regiões de forte aplicação, eles até morriam sob o efeito do pesticida..

Veneno e salvador de vida


No início dos anos de 1970, o DDT foi proibido na maioria dos países industrializados. Em 2001, 122 países assinaram a Convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persistentes (POPs).


A convenção, no entanto, abre uma exceção: o uso do DDT para combater o mosquito da malária é permitido, desde não existam alternativas mais baratas e inofensivas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda expressamente o uso desde 2006 para aspergir paredes em ambientes fechados. O método é polémico. Além da OMS, os EUA são fortes defensores do uso do DDT.

Os defensores argumentam que o pesticida pode salvar vidas. Diante de mais um milhão de mortes por ano em decorrência da malária, seria cínico condenar o DDT de uma maneira geral, diz Marcel Tanner, diretor do Instituto Tropical Suíço, em Basiléia. Doses fracas não causam danos, acrescenta.


VANTAGENS E DESVANTAGENS:
Vantagens:
- Mantém a cultura livre de pragas.
- Aumenta a produtividade agrícola;

Desvantagens:
- Pode causar a contaminação e desertificação do solo.
- O uso intenso de pesticidas pode levar à degradação dos recursos naturais, em alguns casos de forma irreversível, levando a desequilíbrios biológicos e ecológicos, entre eles a contaminação da água, do ar e do próprio solo.
- Desenvolvimento de espécies resistentes por um mecanismo de seleção natural dirigida, tanto mais rápido quanto mais curto for ciclo reprodutor da espécie.
- Efeitos noutros organismos, nomeadamente, predadores naturais das pragas, introduzindo desequilíbrios nos ecossistemas.
- Ameaça à saúde humana de forma direta, por envenenamento e, de forma indireta, ao longo das cadeias alimentares.



A utilização dos pesticidas ainda acarreta muitas desvantagens. Assim há uma permanente investigação para o combate às desvantagens dos pesticidas, os objetivos a cumprir são os seguintes:

- Sejam extremamente seletivos, matando apenas a praga-alvo;
- Sejam inócuos para as outras espécies;
 - Sejam facilmente degradáveis em compostos inofensivos, após o objetivo da sua aplicação ter sido atingido;
- Não causem resistência genética nos organismos-alvo;

- Deem benefícios, em termos de custos, quando aplicados.


Pesticidas podem causar o nascimento de mais machos que fêmeas


   Um estudo divulgado na revista especializada Plos One indica que o uso de pesticidas químicos tem impacto que se estende por diversas gerações. Segundo os cientistas, o uso de veneno fez ainda com que a chamada mosca-d'água fosse mais propícia a reproduzir machos do que fêmeas.
   "Este trabalho dá suporte à hipótese de que a exposição a alguns químicos ambientais durante períodos sensíveis do desenvolvimento pode provocar significantes danos à saúde aos organismos mais tarde em sua vida - e afetar sua prole e, possivelmente, a prole da prole", diz Gerald LeBlanc, professor da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA), líder do estudo. "Nós procurávamos por um organismo modelo, identificamos um importante caminho ambiental para a determinação do sexo e descobrimos que os químicos podem invadir esse caminho."
   Os pesquisadores já haviam identificado anteriormente um hormônio chamado de metil farnesoato que as moscas Daphnia produzem sob certas condições ambientais. Eles descobriram agora que a substância se une a um receptor que pode regular a transcrição do gene e parece estar ligado à produção da prole masculina.
   Em experimentos, os cientistas exporam as moscas a variados níveis do inseticida pyriproxyfen, que imita o hormônio. O resultado foi que os insetos tiveram uma prole menor, mas de maioria masculina. Quanto maior a dose, maior o resultado, até que apenas machos nasciam.
   Mesmo uma dose pequena tinham grandes efeitos. As poucas fêmeas que nasciam apresentavam problemas de reprodução, mesmo que estas não tenham sido expostas diretamente ao veneno.
   "Queremos agora entender especificamente quais genes estão envolvidos nesse processo de determinação do sexo", diz LeBlanc. "E, ecologicamente, é importante determinar o impacto das mudanças nas dinâmicas da população destas espécies. Daphnia são uma espécie-chave - uma fonte de comida importante para peixes jovens e outras espécies."

CONCEITO DE BIOACUMULAÇÃO E BIOAMPLIAÇÃO:

BIOACUMULAÇÃO é a designação dada ao aumento da concentração de compostos químicos, como por exemplo, os pesticidas, em organismos que vivem num ambiente contaminado por uma variedade significativa de compostos orgânicos. Estes compostos geralmente não são biodegradáveis ou não são metabolizados pelos organismos, de maneira que a sua taxa de absorção e armazenamento é maior que a da excreção. Os produtos químicos são, em geral, armazenados nos tecidos gordos. O DDT é um exemplo de um pesticida persistente, que não sendo facilmente destruído, se vai acumulando na cadeia alimentar e em cada organismo de cada nível trófico. A este aumento de concentração da substância tóxica por nível trófico chama-se BIOAMPLIAÇÃO.


Ursos acumulam o que os peixes excretam

Julho 16, 2007 às 11h04

 


   Esforços para controlar a poluição química podem estar a deixar passar milhares de toxinas que se concentram à medida que se sobre na cadeia alimentar, dizem os investigadores.
   Compostos que não se acumulam nos peixes podem, ainda assim, acumular-se nas aves e nos mamíferos marinhos, e mesmo nas pessoas que se alimentam deles, descobriu-se agora.
   A descoberta coloca até um terço dos químicos industriais, incluindo alguns perfumes e pesticidas, sob suspeita. As regras têm que ser alteradas, diz o toxicólogo ambiental Frank Gobas, da Universidade Simon Fraser em Burnaby, Colúmbia Britânica: “Temos que reavaliar a forma como estamos a classificar estas substâncias.”
   Alguns químicos orgânicos, como o DDT e os PCB, usados como agentes refrigerantes, são conhecidos por se acumularem quando um animal como outro, num processo conhecido bioampliação.
   A medida mais comum da tendência de um químico para se bioacumular é a facilidade com que se mistura com a água. Quanto menos solúvel for esse químico, mais difícil será para um animal com guelras expeli-lo. A concentração de PCB num peixe, por exemplo, pode ser até 100 vezes mais elevada que a encontrada nas algas que estão na base da cadeia alimentar.
   Mas para estudarmos a bioacumulação em aves e mamíferos também temos que medir a facilidade com que um químico atravessa o ar, diz Gobas. Estudando mais de uma dúzia de animais, incluindo patos, belugas e ursos polares, detectaram vários compostos que os reguladores ignoraram porque são excretáveis para a água mas não para o ar.
   Por exemplo, o hexaclorociclohexano, um ingrediente do pesticida lindano, tem a mesma concentração nas algas, nos bivalves e nos peixes mas acumula-se em níveis muito elevados nos ursos polares. “Estes químicos ficam encurralados nos nossos corpos porque não são expelidos através da exalação”, diz Gobas.
   O estudo, publicado na última edição da revista Science, não analisou os efeitos na saúde humana de qualquer destes químicos.
   Um modelo de computador da dieta das populações Inuit no norte do Canadá descobriu que alguns destes químicos se podem concentrar 2 mil vezes quando comparados com os níveis na base da cadeia alimentar.
   Os Inuit, que caçam mamíferos marinhos como as belugas, que são conhecidos por conter níveis elevados de PCB, são especialmente vulneráveis aos poluentes bioampliáveis, acreditam os investigadores.
   Derek Muir, um toxicólogo ambiental da Environment Canadá em Burlington, Ontário, apoia a incorporação das descobertas mais recentes numa avaliação de risco químico mas tem dúvidas sobre a actuação dos legisladores. “É uma coisa estar consciente da situação e outra é chegar mesmo a alterar os regulamentos.”
   Os governos podem estar à espera de melhores dados acerca da forma como os químicos são metabolizados, algo que este novo estudo não explorou, antes de agirem, diz ele. Se um animal degrada um poluente antes deste ter hipótese de se deslocar para cima na cadeia alimentar, não ocorre bioampliação.
   A utilização da maioria dos químicos perigosos, como as dioxinas e o DDT, está sob a alçada da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, assinada por 131 países em 2004. Para lidar com ameaças mais subtis, os governos começaram a avaliar a toxicidade, persistência e a bioacumulação de dezenas de milhar de químicos industriais.
   Uma nova Convenção de Estocolmo é precisa para convencer os governos de que devem analisar a bioampliação em mamíferos, diz Gobas, pois não será cada país individualmente a faze-lo. “Estão tão ocupados a lidar com os critérios existentes que o seu apetite por novos critérios é muito limitado.”



Luta biológica







A luta biológica consiste no controlo de pragas através da utilização de inimigos naturais, como predadores ou parasitas. Existem vários exemplos a nível mundial que mostram a eficácia dos processos biológicos no controlo de pragas.

Em Portugal um exemplo da eficácia destes processos foi a introdução de Vedalia, inseto semelhante a uma joaninha, em 1897, para o combate à Icerya, cochonilha que suga a seiva dos citrinos, em laranjais dos arredores de Lisboa, sendo o primeiro ensaio de luta biológica moderna levado a cabo na Europa.

Se quiser saber mais sobre os insectos que auxiliam a agricultura veja este site: http://www.drapn.minagricultura.pt/drapn/conteudos/fil_tecn/101%20Insectos%20Auxiliares%20da%20Agricultura.pdf





Organismos auxiliares

 Os organismos auxiliares são seres vivos que são utilizados na luta contra pragas. Estes podem já estar na cultura e combater pragas sem intervenção direta do agricultor ou podem ser aplicados por estes. Assim o agricultor pode:

  • Utilização de espécies predadoras de pragas
As espécies predadoras são insectívoras mas não atacam as culturas, mantendo assim controladas as populações das pragas.

Exemplo: Louva-a-deus
Este louva-a-deus come outros insectos de menores dimensões que comem as culturas.


  • Utilização de espécies parasitóides das pragas
Utilização de espécies parasitóides das pragas mas que não constituem ameaça para o ser humano.

Exemplo: Vespa braconida (C. insularis)
Esta vespa, não tem ferrão nem ataca o humano. A fêmea coloca os seus ovos no interior dos ovos de várias espécies identificadas como pragas.



  • Biopesticidas
Alguns microrganismos produzem toxinas, específicas e biodegradáveis, que podem ser utilizadas como pesticidas biológicos.

Exemplo: Bactérias Bacillus thuringiebsis
As toxinas destas bactérias vão ser vendidas nos mercados na forma de vários produtos que se aplicam para destruir larvas de insetos que atacam muitas culturas, como as larvas do escaravelho da batateira, as borboletas da couve e do tomate, a traça da uva. Entre outros.


Nota: A introdução de auxiliares na luta biológica tem de ser previamente estudada e feita nos momentos próprios, evitando a acção sobre outros elementos da comunidade.



Feromonas

 As feromonas são substâncias químicas produzidas por certos animais que lhes primita a comunicação a longas distâncias. Estas feromonas desencadeiam uma reação fisiológica ou um comportamento específico noutros animais da mesma espécie, pois só estes possuem receptores específicos para essas substâncias.
Este fenómeno é utilizado com estratégia de acasalamento, principalmente nos insetos. As fêmeas, quando estão preparadas para acasalar, libertam quantidades ínfimas de uma feromona que tem o efeito de atracão sexual, que são dispersadas para longas distâncias devido ao vento. O macho da mesma espécie tem receptores para essas moléculas. Estes vão encontrar as fêmeas indo contra o gradiente de concentração da feromona. 


Uma das vantagens das feromonas é que uma vez produzidas permanecem no ambiente durante muito tempo.

As feromonas podem ser utilizadas em armadilhas, atraído os insectos e desviando-os das culturas. Podem, também ser utilizadas para atrair os predadores ou parasitas naturais.


Um exemplo de uma praga que é controlada pelo uso de feromonas é o escaravelho-japonês, onde se colocam feromonas numa armadilha. Os machos do escaravelho-japonês vão ser atraídos para essa armadilha onde acabam por morrer. Assim há a diminuição na reprodução estando presentemente a praga controlada. 
Se quiser saber mais sobre o ciclo de vida do escaravelho-japonês, visite este site: http://www.azores.gov.pt/NR/rdonlyres/246BE42E-25F3-4DFD-B3F3 579086A51780/584474/ESCARAVELHOJAPONSJUL2011.pdf

As feromonas têm uma ação muito específica, mas a identificação, o isolamento e a produção de uma feromona é um processo demorado e dispendioso. Atualmente, a nível mundial estão à venda cerca de 250 feromonas para o controlo de pragas.  



Esterilização de machos 

A esterilização dos machos pode também ser chamada como luta autocida, que consiste na utilização dos próprios insectos para se controlarem a si próprios.


O método consiste na criação de grandes quantidades de machos da espécie considerada, que são esterilizados em determinadas fases de desenvolvimento. A esterilização pode ser feita por métodos físicos, recorrendo a radiação ionizante, ou por métodos químicos, utilizando substâncias que ingeridas pelos machos que os tornem estéreis.

Os machos estéreis são depois largados em grandes quantidades na área afetada, para competirem com os machos existentes na Natureza, durante o acasalamento. Os machos esterilizados, ao acasalarem com as fêmeas, impedem a formação de ovos viáveis, não dando origem a descendência. Sem descendência, a praga vai diminuindo progressivamente, assim como os prejuízos que causam.

O problema é que esta técnica é muito dispendiosa, só se podem aplicar em algumas espécies e necessitam de uma aplicação contínua, exigindo grandes quantidades de machos estéreis.

Exemplo:


Na Madeira e no Algarve recorre-se a esterilização dos machos da mosca do mediterrâneo (Ceratitis capitata), mais conhecida como mosca da fruta. Esta mosca ataca diferentes frutos, causando prejuízos avultados. O uso de insecticidas tem tido resultados pouco satisfatórios, além dos inconvenientes que têm para o ambiente e para a saúde publica, por isso tem utilizado a técnica de esterilização dos machos da mosca da fruta, para controlar a própria praga de moscas da fruta.
Para saber mais sobre a mosca da fruta visite o site: http://plaza.ufl.edu/ruip/medfly.pdf


Luta integrada


A proteção integrada consiste em controlar as pragas de uma cultura associando várias técnicas, que incluem métodos de cultura, métodos de proteção biológica e métodos químicos, desenvolvidos em determinada sequência e em tempos próprios.

Recorre-se assim, sucessivamente e em paralelo, a herbicidas seletivos para facilitar o rompimento e instalação das jovens plantas no solo, a insecticidas para destruir certos parasitas e auxiliares de cultura (luta biológica) para agir sobre outros devastadores.  


Esta luta integrada pressupõe uma coordenação perfeita de ações no tempo, associando meios de luta apropriados e complementares, o que permite obter resultados mais rápidos e duráveis.

Este tipo de gestão não visa, em regra, erradicar as pragas, mas sim reduzir os prejuízos causados nas colheitas para níveis economicamente aceitáveis. 

A luta integrada, permite ao agricultor a utilização de uma estratégia de luta racional no controlo de pragas e doenças, preservando os organismos auxiliares, tendo sempre presente a noção do nível económico de ataque, evitando ou limitando a utilização de fitofármacos e herbicidas, muitas vezes nocivos para o homem e para o ambiente. Assim o agricultor produz alimentos mais saudáveis.

Desde cedo, a AJAP (Associação dos jovens agricultores portugueses) direcionou a sua estratégia para esta temática, pelo que desde Fevereiro de 1999 foi reconhecida pelo MADRP (ministério da agricultura do desenvolvimento rural e das pescas) para a prática da Proteção Integrada das culturas, nomeadamente da vinha, olival e citrinos. Atualmente, a AJAP encontra-se também reconhecida para a prática da Produção Integrada da vinha e da Proteção Integrada de hortícolas, milho e arroz.


Controlo Genético


Atualmente, é possível, dentro de certos limites, melhorar a produção agrícola, obtendo plantas resistentes a certos consumidores e parasitas, reconhecidos como os mais perigosos para determinada cultura.

Pode recorrer-se cruzamentos seletivos, obtendo variedades com as características que interessam, ou recorrer à engenharia genética através da técnica do DNA recombinante.

Através desta técnica de DNA recombinante, podemos transferir para a planta o gene que lhe permite resistir a um agressor particular, ou introduzir um gene que codifica a produção de biopesticidas, como a toxina Bt, quitinases e lisozima. 

A eficiência dos biopesticidas já foi testada em várias espécies de plantas, como o tomateiro, o milho e o algodão.


Milho Bt, um organismo geneticamente modificado, que após a inserção de um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, milho torna-se resistente lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda) entre outros seres vivos. Isto permite que os agricultores usam menos inseticidas.

Se quiser saber mais sobre o milho Bt visite o site: http://www.scq.ubc.ca/bt-corn-is-it-worth-the-risk/  


Vespa asiática chegou a Portugal e não deixa as abelhas sair das colmeias


Depois dos fungos, dos pesticidas, das alterações climáticas, da destruição dos habitats, eis que as abelhas, em declínio mundial nos últimos 50 anos, têm agora de lidar com outra ameaça: as vespas asiáticas. Em Portugal, a região entre o Minho e o Lima é a mais afectada por estas vespas.

O que aconteceria se a sua casa estivesse a ser atacada e não pudesse sair para obter alimentos? A resposta é simples: morreria de fome (e também não iria trabalhar). É precisamente isto o que está a acontecer às abelhas. Morrem por falta de alimento e não produzem mel e as culpadas são as vespas asiáticas, vindas de Espanha e França. Em Portugal, está a apostar-se na destruição dos ninhos com fogo e armadilhas artesanais para minimizar o impacto na economia e na biodiversidade que este insecto predador pode causar.
O método de ataque da vespa asiática ou velutina (Vespa velutina nigotorax) é simples e eficaz: esperam junto das colmeias que as abelhas cheguem carregadas de pólen, capturam-nas, cortam-lhes a cabeça, as patas e o ferrão e transportam-nas para os seus próprios ninhos que constroem no topo das árvores. Aí, comem-nas.
Em Portugal, os primeiros ataques terão ocorrido em 2011, quando foi capturado um exemplar desta espécie num apiário em Viana do Castelo. Segundo Miguel Maia, técnico da Associação Apícola Entre Minho e Lima (Apimil), foram detectados cerca de 40 ninhos na região do Alto Minho, 22 dos quais no concelho de Viana do Castelo. O técnico diz ainda que foram igualmente encontrados exemplares destas vespas em Ponte de Lima, Ponte da Barca, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Barcelos e Vila Verde.

Os ninhos, com cerca de um metro de altura e 80 centímetros de largura, são maioritariamente construídos em árvores com uma altura superior a cinco metros, descrevem Miguel Maia e José Manuel Grosso Silva, este do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto, no artigo A Vespa velutina em Portugal continental e a apicultura nacional, na revista O Apicultor, em 2012.
Depois de França, onde terão chegado em 2004, as vespas invadiram Espanha e, agora, a entrada em Portugal não é surpresa para a Apimil. "Já sabíamos que isto ia acontecer. Com a globalização, os problemas também vêm para nós", comenta o presidente da Apimil, Alberto Dias, acrescentando que, em 2013, os casos deverão aumentar em quantidade e área.
 Dentro de dez anos, admite Miguel Maia, é possível que a vespa asiática tenha colonizado toda a Península Ibérica e que, nessa altura, "vamos tropeçar nos ninhos". "O Norte de Portugal será provavelmente colonizado em poucos anos", diz também o entomólogo José Manuel Grosso Silva.


Projecto português de controlo de pragas no arroz alargado a outros países



Um projecto de controlo de pragas no arroz para consumo, sem recurso a químicos, que Portugal desenvolve desde 2002, vai ser alargado a outros cereais, tendo instituições de investigação de 14 países mostrado já interesse em participar.


A intenção de desenvolver um novo projecto, abrangendo outros cereais, foi revelada à agência Lusa por Maria Otília Carvalho, do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), à margem da reunião da presidência portuguesa da Eureka, iniciativa intergovernamental de apoio à inovação europeia, que decorre em Sines. 


"Vou tentar fazer um novo projecto [no âmbito da Eureka], alargando-o a outros cereais. Já temos 14 países interessados, com instituições que querem fazer parte, apesar da proposta ainda não estar acabada", disse.


Segundo Maria Otília Carvalho, entre os interessados estão as universidades norte-americanas do"Kansas e do Oklahoma e dois institutos de investigação do Canadá", assim como outras"instituições de França, Dinamarca e Inglaterra", entre outros países. A SEAR - Sociedade Europeia de Arroz, instalada em Santiago do Cacém, foi a primeira instituição portuguesa que se lançou no projecto do IICT.

Entretanto, outras entidades nacionais começaram a utilizar destes métodos, como a Aparroz - Agrupamento de Produtores de Arroz de Vale do Sado, de Alcácer do Sal, ou a empresa Saludães. Desde que foi integrado na iniciativa Eureka, em 2006, Portugal passou a desenvolver o projecto em conjunto com a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Israel e EUA.
Desde 2002

O projecto de controlo de pragas no arroz para consumo, sem recurso a químicos, que foi desenvolvido desde 2002 e terminou este mês, foi apresentado, na reunião da Eureka, como um exemplo de sucesso na implementação da inovação e tecnologia no sector agro-alimentar.


Uma das metodologias desenvolvidas e implementadas pelo IICT foi a utilização de"big bags (sacos grandes) herméticos", que"pesam uma tonelada", mas que Maria Otília Carvalho garantiu serem "um método muito simples e eficaz" no controlo de pragas no arroz. Nestes "big bags", explicou, reutiliza-se dióxido de carbono, que o cereal "respira" e que permite "criar vácuo", mantendo a "qualidade do arroz", antes de ir para o processamento ou para o embalamento.

 A prevenção, mantendo os níveis de higiene do arroz, é também uma forma de controlo que não é nociva para o ambiente, referiu. O objectivo das metodologias no projecto passa também por "reduzir o erro de tratar [com químicos] quando nem é necessário", antes do arroz ir para o mercado, explicou Maria Otília Carvalho.

A Eureka (Network for Market Oriented R&D) tem como principal objectivo estimular a produtividade e a competitividade da indústria europeia, promovendo a ligação entre empresas e instituições de investigação.



Vídeos


http://www.youtube.com/watch?v=4oDDLROfh-Y   - Controlo Biológico de Pragas 


Apresentação em Prezi

http://prezi.com/ebgpbw7opxqx/controle-de-pragasalimentos-organicos/ Controle de Pragas/Alimentos Orgânicos




Webgrafia




Bibliografia 

Dias da silva, Amparo; Santos, Maria Ermelinda; Mesquita, Almira Fernandes; Baldaia, Ludovina; Félix, José Mário; Terra, Universo de Vida Biologia 12ºano; Porto Editora;  1º Edição, 2012










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